SINPAF questiona a direção da Embrapa sobre o sistema ERP/SAP

SINPAF questiona a direção da Embrapa sobre o sistema ERP/SAP


A implantação de um sistema de gestão integrada é exemplo do modismo gerencial que foi encampado pela diretoria da Embrapa, o qual, entretanto, está produzindo efeito diverso daquele inicialmente projetado, ao trazer prejuízos consideráveis à empresa e a suas(seus) trabalhadoras(es), seja de ordem material, seja de ordem institucional.

Em função disso, e diante das inúmeras reclamações dos usuários do sistema quanto à morosidade, retrabalho, falta de treinamento, inadequação do software aos processos da empresa, entre outras dificuldades relatadas, o SINPAF pediu esclarecimentos formais à Gestão Moretti quanto aos custos envolvidos, bem como às providências que estão sendo adotadas para solucionar os problemas enfrentados por trabalhadores e trabalhadoras que usam ou que estão sendo afetados pelo sistema ERP/SAP.

Introduzido sob a justificativa de uma necessária solução gerencial na Embrapa, por meio da eliminação de sistemas tidos pelos gestores como obsoletos, o sistema ERP/SAP vai passar à história da empresa como mais um dos muitos erros cometidos pela Gestão Moretti.

É preciso registrar que a decisão de implantar o sistema foi tomada na Gestão Maurício, quando a empresa, por um erro de recolhimento de impostos, foi instada a pagar uma multa milionária à Receita Federal. Para eliminar erros dessa natureza, decidiu-se que o caminho seria a aquisição de um sistema que integrasse os processos da área administrativa, especialmente gestão de pessoas, administração financeira, patrimônio e suprimentos. Assim, ao invés de gerenciar de forma efetiva os departamentos e atores responsáveis por eventuais gargalos administrativos, optou-se por colocar todas as fichas na aquisição de um “sistema milagroso” que, de forma pretensamente ideal, seria capaz de resolver problemas de natureza diversas, muitos dos quais claramente causados por gestão inadequada e ineficiência administrativa.

Porém, a Gestão Moretti conseguiu piorar as coisas, ao dar continuidade à decisão equivocada, torrando os já escassos recursos públicos destinados à empresa nessa aventura infindável, que está minando a credibilidade da Embrapa e criando situações até então inusitadas para seus trabalhadores e trabalhadoras. Quem haveria de dizer, até bem pouco tempo, que os contracheques emitidos pela Embrapa teriam incorreções e que as informações neles contidas não seriam confiáveis?

O caso dos contracheques é exemplar quanto aos efeitos desastrosos da implantação capenga do sistema ERP/SAP na Embrapa. De outubro de 2020 até a presente data, trabalhadoras e trabalhadores passaram a checar contracheques de forma frenética e com frequência, preocupados com o aumento assustador das incorreções nos proventos depositados pela empresa e com as dificuldades para obter informações quanto aos procedimentos em face de situações de recebimento de valores a menor ou a maior.

Ao acessar e ler a edição nº 28 do Boletim de Comunicações Administrativas (BCA) da empresa, publicada em 14/06/2021, é possível vislumbrar que o imbróglio dos contracheques está muito longe de ser resolvido. Na décima-terceira página do referido BCA, pode-se constatar que a diretoria da empresa nomeou um grupo de trabalho para “conferir e identificar diferenças de valores líquidos (SAP/SIAPE) pagos aos empregados da Embrapa nos meses de outubro de 2020 a abril de 2021, e propor ajuste de folha quando necessário”. Ou seja, a Gestão Moretti explicita em documento oficial que a implantação do sistema da moda, que sugou milhões dos cofres públicos e foi apresentado como eficiente, ágil e infalível, provocou uma avalanche de erros. Aos que pagam pensão alimentícia por meio do desconto nos salários, em especial, é um caos!! Além disso, pasmem, após um considerável período de tempo – mais de DEZ MESES – o problema não foi resolvido, bem como ainda não se tem sequer um diagnóstico acerca da sua extensão e consequências.

O exemplo dos contracheques é apenas a ponta do iceberg de muitos outros problemas relacionados à implantação do ERP/SAP na Embrapa. Livros não podem ser vendidos porque notas fiscais não podem ser geradas. O módulo patrimônio e suprimentos está patinando, tendo sido necessário realizar novo edital para suprir falhas no planejamento de sua implantação. Folhas de pagamento são conferidas manualmente para tentar se detectar erros. Cédulas C foram emitidas e disponibilizadas aos interessados depois do prazo estabelecido por lei. Adicionais de insalubridade são pagos de forma extemporânea. Os chamados multiplicadores indicados pela empresa não se sentem suficientemente treinados e familiarizados com o sistema para passar sua experiência a outros possíveis usuários.  Enfim, vivemos um verdadeiro caos.

O mais irônico nisso tudo é que, ao se consultar os relatórios de gestão produzidos na empresa entre 2015 e 2020, percebe-se que as referências à implantação e ao funcionamento do sistema ERP/SAP na empresa são sempre positivas, em uma completa dissociação do que está acontecendo no mundo real. Nesses documentos, o sistema é caracterizado como solução certeira e “determinante para o futuro da empresa”, sendo elogiado pela possibilidade de “conectar todos os processos” e dar mais “agilidade e transparência à gestão”. Ainda, é dito que o sistema iria fornecer “informações qualificadas em tempo real” bem como eliminar “retrabalhos e a burocracia”. Exatamente o contrário do que estamos vivenciando.

Como afirmamos, a Diretoria Nacional do SINPAF pediu informações à Gestão Moretti sobre o ERP/SAP e já entrou em contato com outras instituições que podem ajudar a encaminhar algum tipo de solução para o que está acontecendo na Embrapa. Se quisermos mudanças, precisamos nos movimentar. Não podemos ficar esperando que as coisas sejam resolvidas por quem tem a responsabilidade legal para tal, pois, infelizmente, tudo leva a crer que isso não vai acontecer nessa gestão catastrófica da empresa.

A Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva que queremos não pode ter o seu orçamento consumido em modismos gerenciais e vaidades que drenam recursos essenciais à continuidade das pesquisas em benefício da sociedade brasileira.  

Por uma Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva!

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