Fechamento de fábricas da Ford é reflexo da política econômica adotada no país

Por: Vânia Ferreira em Quarta, 13 Janeiro 2021 | Categoria: Notícias gerais

*Texto opinativo divulgado pela Seção Sindical Cruz das Almas

O Brasil começou o ano de 2020 como a nona maior economia do mundo, em 2012 era a sexta. Dentre as nove maiores economias do mundo, o Brasil é o único país que não tem sua própria montadora de veículos, com capital e tecnologia nacionais. Esse espaço foi ocupado por montadoras estrangeiras.

Ontem (11/01), a Ford comunicou ao mercado que encerrará a produção de veículos no Brasil, com o fechamento imediato das fábricas que a montadora mantém em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). Isso, lamentavelmente, representa o fim de pelo menos 5 mil empregos diretos. O SINPAF expressa toda solidariedade e apoio aos trabalhadores e trabalhadoras da Ford e seus familiares.

Vale lembrar que a taxa de desemprego no Brasil estava em 14,6% no final de setembro de 2020, segundo a Agência Brasil, da EBC. No final de 2014, essa taxa era de 6,8%, segundo o IBGE.

As reformas trabalhista e da previdência não trouxeram mais empregos para o Brasil, como prometido por seus defensores, nem resolveram o problema da economia brasileira. O problema se aprofundou, com o próprio Jair Bolsonaro dizendo que o Brasil está quebrado. Mentiram para os brasileiros.

Agora, a Ford concentrará suas atividades na Argentina, onde investiu, em  dezembro de 2020, quantia equivalente a R$ 3 bilhões para ampliar sua produção. Diferente do ano de 2009, quando a montadora investiu R$ 4 bilhões aqui no nosso país.

Diante da militarização do poder Executivo e da polarização política vivenciada pelo Brasil nos últimos anos, é impossível não traçar paralelos com a época da ditadura militar. Nesse período, assim como hoje, prosperava uma paranoia com a dominação do comunismo, propagada por alguns políticos, policiais, professores e até jornalistas de direita.

Considerando que hoje a Argentina é governada por um presidente com claras tendências de esquerda, cabe a ironia: seria a Ford comunista?

 

Foto: SINDMETAU