Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

49 anos da Embrapa: parlamentares e organizações da agricultura familiar apoiam SINPAF por uma empresa pública

27 de abril de 2022

A Sessão Solene que comemorou os 49 anos da Embrapa na Câmara dos Deputados, na manhã de ontem, 26 de abril, reforçou a campanha do SINPAF por uma empresa pública, democrática e inclusiva. Parlamentares de diversas siglas partidárias discursaram em favor de uma empresa para o povo brasileiro.

Clique aqui para assistir ao vídeo do SINPAF em homenagem aos 49 anos da Embrapa, transmitido durante a sessão solene, que apresenta um recorte sobre a construção da empresa por seus trabalhadores e suas trabalhadoras.

A deputada Erika Kokay, que presidiu a sessão solene, e foi responsável pela sua organização, com apoio do Sindicato, reafirmou a importância da Embrapa pública, democrática e inclusiva. “Nós não vamos permitir que a Embrapa seja capturada por interesses que não são do próprio povo, ou que nós tenhamos na Embrapa contratações e reestruturações sem escutar quem constrói a empresa todos os dias, que são aqueles que estão, diuturnamente, fazendo desta uma empresa que orgulha cada brasileira e brasileiro.

E continuou a parlamentar: “Então estamos dizendo que a função que a Embrapa desenvolve no nosso País não combina com assédio moral organizacional, não combina com reestruturação que sejam financiadas por setores específicos, que buscam capturar a empresa, que é do povo brasileiro. E continuará sendo assim porque ela significa a potencialidade desse País e é construtora diária da Soberania Nacional.”

Compondo a mesa da sessão, o presidente do SINPAF, Marcus Vinicius Sidoruk Vidal, afirmou que o Sindicato tem como missão tanto defender os direitos e interesses das trabalhadoras e dos trabalhadores quanto defender as empresas públicas da base. Ele ressaltou que, ao longo dos 49 anos de Embrapa, além dos investimentos públicos em estrutura, também houve investimento público em contratação e treinamento de pessoal, que são os grandes responsáveis pelo patamar no qual a Embrapa se encontra no momento. Destacou, ainda, que milhões de agricultores familiares dependem dos resultados das pesquisas públicas realizadas pela empresa.

“O que acontece hoje na Embrapa é um desmonte dessa estrutura. Em consonância com o atual governo federal, a atual diretoria da Embrapa promoverá um modelo de parcerias com a iniciativa privada, da qual os resultados das pesquisas serão financiados por essas empresas e deixarão de entregar resultados públicos, priorizando o lucro”, denunciou Marcus Vinicius.

Representando a Diretoria Executiva da Embrapa, o chefe-geral da unidade Cerrados, Sebastião Pedro da Silva Neto, disse que nesses 49 anos trabalhando e servindo à sociedade brasileira, “o maior patrimônio da Embrapa é os seus funcionários, e a principal ferramenta da Embrapa tem sido a Ciência.”

Valeir Ertle, diretor jurídico da CUT, fez parte da mesa da Sessão, e afirmou que a central sempre estará do lado da ciência e tecnologia, de profissionais como os trabalhadores e as trabalhadoras da Embrapa. “Estamos orgulhosos de vocês!”, declarou.

AGRICULTORES FAMILIARES

A secretária de mulheres da Contag e coordenadora da Marcha das Margaridas, Mazé Moraes, que também foi convidada da mesa, buscou resgatar a importância da Embrapa para o desenvolvimento social e econômico do País e focou na necessidade de a empresa trabalhar também para a agricultura familiar. “Não temos apenas uma agricultura nesse País e é preciso olhar para aquela que produz e é responsável por mais de 70% da alimentação que vai para a mesa dos brasileiros e das brasileiras”, reivindicou a agricultora.

O coordenador da Fetraf-RS, Douglas Cenci, afirmou que é impossível imaginar a existência da agricultura familiar sem a pesquisa e sem o trabalho Embrapa e denuncia o perigo da privatização das pesquisas para os agricultores. “Estamos num processo de transição para uma agricultura familiar mais sustentável, não podemos ficar nas mãos da pesquisa privada, das grandes empresas multinacionais, que hoje, num sistema convencional, acabam explorando os agricultores familiares. Se não tivermos uma Embrapa forte, podem se apossar dessas tecnologias e vamos continuar sendo explorados mesmo com uma agricultura sustentável”, denunciou Douglas Cenci.

DISCURSOS DOS PARLAMENTARES

Ao todo 12 deputados discursaram, além de diversos outros que acompanharam o evento. Veja abaixo um pouco das falas mais marcantes:

O deputado Frei Anastacio Ribeiro (PT-PB) parabenizou a todas e todos que fazem parte da Embrapa e reafirmou sua parceria em defesa da empresa. “Precisa a cada dia ser mais valorizada e fortalecida. Repudiamos as investidas do governo Bolsonaro que quer privatizar a Embrapa. Essa estatal é patrimônio do povo brasileiro e precisa ser preservada”, afirmou.

De acordo com o deputado federal Alceu Moreira (MDB/RS), “todos os anos, quando chega na hora trabalhar com a peça orçamentária, lá vem os cortes da Embrapa.” “Como que qualquer governo pode, na hora de votar peça orçamentária, e ver um setor da economia de tamanha importância, que daqui a 20 anos talvez esteja alimentando 6 de cada 10 pratos no mundo, é o brasil que tem que alimentar, e ele [governo] sublima a pesquisa como se fosse algo secundário. Essa não é política de governo, isso não precisa ter viés ideológico, precisa ter é compromisso”, declarou.

Para o deputado André Figueiredo (PDT-CE), a Embrapa, nesses 49 anos de existência, promoveu uma revolução no agronegócio e na agricultura familiar. “Mas está muito claro o sucateamento que infelizmente a empresa ainda sofre, com a falta de concursos públicos, falta de investimentos, principalmente na área de desenvolvimento tecnológico, e que nós aqui no parlamento temos tido a missão de buscar ajudar a Embrapa nos seus diferentes centros de pesquisa, nos diferentes locais onde se desenvolvem as potencialidades de cada região.”

Já o deputado Merlong Solano (PT/PI) também denunciou que o orçamento da Embrapa tem caído ano a ano, de 3,8 bilhões em 2019 para 3,3 bilhões em 2022, portanto um corte de cerca de R$ 500 milhões. Mais grave ainda é constatar que o valor executado é menor ainda do que o valor aprovado pela maioria do governo Bolsonaro nesta casa. Em 2020, por exemplo, o valor executado foi apenas 79% do orçamento aprovado. Com esses cortes do valor orçado e, principalmente, do valor efetivamente executado, o que temos é uma situação que marcha para a inviabilização dessa empresa estratégica.”  

O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) disse que o debate trazido pela Sessão Solene é mais do que nunca necessário, pois, segundo ele, a Embrapa está ameaçada. “Essa empresa precisa e vai continuar sendo uma empresa pública sintonizada com os interesses do nosso país. Os cortes orçamentários, a perseguição aos servidores, a falta de investimento em pesquisa que é abundante, pois na comissão de orçamento deste ano eu vi a batalha que foi feita para se preservar minimamente o orçamento. Tudo isso faz parte da nossa luta”, concluiu o parlamentar.  

Também fizeram intervenções, os deputados Marcon (PT-RS), Joseildo Ramos (PT-BA), Rodrigo Agostinho (PSB-SP), José Ricardo (PT-AM), Hildo Rocha pela Liderança do MDB, Afonso Mota PDT-RS e Bohn Gass (PT-RS).

Para assistir todos os discursos da Sessão Solene pelo aniversário de 49 anos da Embrapa, clique no link: https://www.youtube.com/watch?v=zP480QiLUh8

Leia mais